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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Só resta torcer.


Ao ler no Estadão online a matéria de Tatiana Ramil, contendo comentários de Sócrates, Zagallo, Bebeto e Soninha sobre o fato de o Brasil sediar a Copa de 2014, há destacar alguns pontos.
Pela possibilidade - já confirmada - da realização da Copa de 2014 no Brasil, pela sua grande significância para o futebol nacional; os torcedores, especialistas, jogadores e todos a que esse acontecimento toca de alguma forma se sentem orgulhosos e animados.
Por outro lado, o temor - como bem diz Sócrates ao alfinetar Ricardo Teixeira- de que se faça desse acontecimento, mais uma fonte de corrupção e superfaturamento, não pode ser afastado.
É provável que, como é de costume, essas preocupações sejam encobertas pelo alvoroço que causa "a paixão nacional". Não seria surpresa, mas não deixaria de ser uma decepção.
Os estádios ainda não adequados aos padrões FIFA, a falta de estrutura ao redor daqueles para receber grandes públicos, e até mesmo a segurança falha e precário sistema de sinalização para não-moradores das cidades brasileiras que sediarão jogos são fatores que trazem preocupação.
Num prazo de 7 anos, espera-se que essas deficiências sejam sanadas e as carências supridas. Mas a dúvida sobre isso ser feito de maneira leal e transparente é constante.
Além disso, há a esperança de que a seleção canarinho consiga gravar mais uma estrela no peito. Mas diante da insegurança inspirada pelo atual técnico e pela inconstância de boa parte de seu elenco, assim como acontece em relação ao lado político e econômico desse acontecimento: só resta torcer.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Mudam as moscas...


Mudam as moscas...

Falando em política, é impressionante como, em nosso país, o meio futebolístico se parece com o mundo da política tradicional. E o processo mais interessante é a eterna capacidade de, em geral, excluir pessoas de bem do seu convívio, como se só malandros pudessem vicejar nesses dois ambientes. E eles não são poucos.
Há poucos meses, no Corinthians, assistimos pesarosos à dissolução de uma comissão que estudava a viabilidade da construção do sonhado estádio corintiano. Gente da estirpe de um Eduardo da Rocha Azevedo realmente não poderia suportar a convivência com tantos fatos estranhos em curso no processo em questão.
E a razão que levou à dissolução da comissão pareceu-me mais obra de determinados interesses comerciais de um pequeno grupo alojado dentro do clube do que de uma realidade convincente. Uma opção de compra de um terreno gigantesco – que não serviria, diga-se de passagem, para um estádio moderno e funcional como se exige hoje em dia – não se perderia da noite para o dia, a não ser que a data determinada fosse utilizada para pressionar a decisão da comissão. O que pareceu ser o caso.
Mesmo depois de tanta discussão, desvios, nepotismo e a queda do presidente anterior, os exploradores do patrimônio corintiano demonstram que não estão dispostos a abandonar a “boquinha” e a cada oportunidade voltam a levantar as asinhas.
No fundo, no fundo, nada mudou na direção do Timão. Só as moscas mudaram de nome. Ou nem isso.

Sócrates
Jogador, líder do movimento conhecido como "Democracia Corinthiana", formado em medicina e atual colunista da Carta Capital.